Há 3 dias chove, águas, lembranças,
preocupações. Entre os dedos não há
membranas, penso desconsolada,
o céu é turvo. Tudo cinza neste
sertão líquido.
Um dia, seremos todos seres aquáticos.
quinta-feira, 8 de março de 2012
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Brigadeiro
Pôs as dores na panela
com açúcar a mexer com
colher de pau, a raspar
o fundo da panela para não queimar.
Não pôs cravo para dar bom cheiro,
nem erva doce, para marcar o sabor.
Depois, embolou um a um na palma de sua
mão e pôs na janela.
O cheiro entrou pelas frestas escuras,
pelas réstias de luz e sombra. O
Espírito em seu coração saboreou
e sorriu. Sentaram juntos e comeram
calados.
com açúcar a mexer com
colher de pau, a raspar
o fundo da panela para não queimar.
Não pôs cravo para dar bom cheiro,
nem erva doce, para marcar o sabor.
Depois, embolou um a um na palma de sua
mão e pôs na janela.
O cheiro entrou pelas frestas escuras,
pelas réstias de luz e sombra. O
Espírito em seu coração saboreou
e sorriu. Sentaram juntos e comeram
calados.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Anti-suspiro
A palavra foi arrancada
nada restando, senão fonemas atordoados
perdidos no chão do momento.
O grito, o murmúrio, o lamento,
qualquer coisa para substituir
não deu conta a dizer.
Dizer é importante.
Não dizer também.
nada restando, senão fonemas atordoados
perdidos no chão do momento.
O grito, o murmúrio, o lamento,
qualquer coisa para substituir
não deu conta a dizer.
Dizer é importante.
Não dizer também.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Desconsolação
Na Ceará, uma pessoa anda para
lugar nenhum fora e dentro de si.
Nada vê, nada sente, tudo olha.
Na Getúlio Vargas, a longa subida
e descida é dentro de mim que mergulha
a poeira, o calor e a chuva.
Na Dias Martins, a agonia,
ida e volta de loucos, a mentira
escondida, a palavra perdida,
tudo, tudo virou pó e água e então lama.
lugar nenhum fora e dentro de si.
Nada vê, nada sente, tudo olha.
Na Getúlio Vargas, a longa subida
e descida é dentro de mim que mergulha
a poeira, o calor e a chuva.
Na Dias Martins, a agonia,
ida e volta de loucos, a mentira
escondida, a palavra perdida,
tudo, tudo virou pó e água e então lama.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Nada se perde
Doia-lhe a cabeça e
os olhos.
A chuva inundou o quarto
e encharcou-lhe a cara. Água salgada.
No chão, bacias, baldes e panos,
deixadas na madrugada que roubou-lhe
uma telha e o sono. De tudo, restou-lhe uma voz mais
rouca, que ela aproveitou
para cantar
I'm sailing.
os olhos.
A chuva inundou o quarto
e encharcou-lhe a cara. Água salgada.
No chão, bacias, baldes e panos,
deixadas na madrugada que roubou-lhe
uma telha e o sono. De tudo, restou-lhe uma voz mais
rouca, que ela aproveitou
para cantar
I'm sailing.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Via bruta
Há muitos pobres sobrando, na estrada da sobral.
Um foi-se embora mais cedo, em meio à nuvem vermelha.
Uma permanece no hospital em estado grave.
Dois permanecem no asfalto,
entre vidros e ferros e outros pobres.
Outro fugiu sem dar assistência.
Um foi-se embora mais cedo, em meio à nuvem vermelha.
Uma permanece no hospital em estado grave.
Dois permanecem no asfalto,
entre vidros e ferros e outros pobres.
Outro fugiu sem dar assistência.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
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